Presidente do União Brasil, o deputado Luciano Bivar (PE) passou nas últimas semanas a ser cobiçado por todos os candidatos da chamada terceira via para assumir o papel de vice nas respectivas chapas.
O movimento mais recente aconteceu em um jantar na noite desta segunda-feira (28) entre Bivar e o pré-candidato do Podemos, Sergio Moro.
Após o encontro, Moro declarou explicitamente o desejo de ter Bivar na composição da chapa. Meses antes, o ex-juiz demonstrava reservadamente desconforto com a oferta do União Brasil.
Na semana passada, Bivar jantou com o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes. Antes, já tinha se encontrado com a pré-candidata do MDB, a senadora Simone Tebet e com o presidente do PSDB, Bruno Araújo.
Antes considerado uma espécie de “patinho feio”, Bivar transformou-se numa espécie de cisne pelas legendas da terceira via por três motivos: tempo de televisão, fundo eleitoral milionário e estrutura do União Brasil.
O status anterior de “patinho feio” de Bivar também tinha motivo. O político comandava em 2018 o PSL que deu legenda ao pré-candidato Jair Bolsonaro – e, no ano seguinte, apareceu no escândalo das candidaturas laranja da sigla. Pesava contra, ainda, o histórico de Bivar como ex-cartola em Pernambuco.
Diante das dificuldades da terceira via, no entanto, essas questões passaram a pesar menos no cálculo dos partidos.
“Ninguém pode se dar ao luxo de rejeitar o Bivar. Se ele viabilizar a aliança, será um excelente vice”, disse ao blog um pré-candidato.
Até novembro, o União Brasil tinha o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta como nome para a sucessão presidencial. Em uma reunião da cúpula do partido, naquele mês, o próprio Bivar anunciou que Mandetta tinha desistido da disputa. Relembre abaixo:
Luciano Bivar sobre indefinição de candidatura de Mandetta: ‘Não queremos lançar um nome que não seja para valer”
O argumento ali era de que o foco do novo partido, resultado da fusão entre PSL e DEM, não era a construção de um candidatura própria, e sim, a estruturação da legenda.
Na prática, no entanto, Bivar queria tirar Mandetta do caminho para articular sua própria posição como vice na chapa de Sergio Moro. O presidente do União Brasil foi esnobado pelo Podemos e adaptou sua estratégia, passando a conversar com outros partidos.
Por Gerson Camarotti / G1


