Em meio a uma tragédia, governantes parecem travar uma disputa eleitoral antecipada
A Prefeitura do Recife parece ter cometido um grave erro ao negligenciar o alerta sobre o alto risco de chuvas fortes e deslizamentos enviado na última quarta-feira (25), pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), órgão federal ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.
Somente 2 dias após o alerta, quando a Apac (Agência Pernambucana de Águas e Clima) emitiu um outro comunicado na sexta-feira (27), sobre a previsão de chuvas intensas para o final de semana que a gestão municipal decidiu colocar em prática o plano de contingência.
Como se não bastasse todo o desastre causado pelas chuvas, o Prefeito do Recife, João Campos (PSB) e o Governador Paulo Câmara (PSB) decidiram não descer do palanque de oposição, e optaram por não receber o Presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), que esteve na capital pernambucana para ver de perto os estragos feitos pelas chuvas em toda a região metropolitana (RMR).
Em um momento de calamidade, faltou maturidade para compreender que ali não se tratava do pré-candidato Bolsonaro, e sim do atual Chefe de Estado, que esteve em visita oficial para prestar ajuda humanitária às vítimas das fortes chuvas.
É difícil acreditar que no cenário atual a disputa eleitoral e as divergências partidárias possam se sobrepor e atrapalhar qualquer entendimento entre os governos que tem a obrigação de trabalhar para todos, e não apenas para seus aliados.


